domingo, 28 de junho de 2026

Poesia - Voltar ao simples

 Voltar ao simples do sertão

A como eu queria voltar

Ao simples do meu sertão

Beber a água do pote

Bater e comer feijão 

O namorar de mãos dadas

Nas tardes do meu Sertão


Correr, brincar pelo mato

Sem medo do entardecer

Pular corda cambalhotas

Como é difícil crescer


Ouvi histórias assombrosas

Fazia o medo crescer

Na hora de voltar pra casa

Só se faltava morrer

O medo era tão grande

Chegava até a feder


Brincar de bila, baralho

Era festa, pra valer

No meu cavalo de pau

Fazia o mundo correr

E pertinho de seis horas

Era hora de comer


Subir lá na canjarana

Gritar para todos ver

Olha só como é bonito

Isso é meu bem querer


E na hora do almoço

Um feijão com rapadura

Para adoçar nossa vida

E era tudo em fartura


No meu carrinho de lata

Viajava de lá pra cá

Mas quando ia e voltava 

Muitas vezes a encontrar

Um amigo dois amigos

E começava a brincar


E nas noites de fogueira

Alegrando o São João

Era compradre e primos

Se tornavam de montão

E ainda tinha afilhados

Pra lhe tomar a benção 


E na festa de São Pedro

Era forte a emoção

Pois conhecia a garota

Que ganhou meu coração 


Celestino Fonseca

Palhano 06/08/2023


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