Aparelho, que pode ser conectado a um celular ou televisão,
tem tamanho aproximado de 3 cm. A ideia é dar acesso à tecnologia às famílias
mais vulneráveis.
Por Antonio Rodrigues, G1 CE
Computador criado por professor no Ceará pode ser
transportado no bolso, mas precisa de uma tela para ter acesso ao sistema
operacional. — Foto: Reprodução/Arquivo
Pessoal
Computador criado por professor no Ceará pode ser
transportado no bolso, mas precisa de uma tela para ter acesso ao sistema
operacional. — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Ex-catador de latinhas, o professor Ciswal Santos, de 31
anos, radicado em Juazeiro do Norte, na região do Cariri do Ceará, acaba de
desenvolver um computador do tamanho de uma caixa de fósforo, para ampliar a
acessibilidade tecnológica de famílias de baixa renda. O aparelho, que foi
construído com um custo de apenas R$ 22, pretende auxiliar, sobretudo, crianças
e jovens cearenses no ensino.
Em 2018, a história de Ciswal ganhou o Brasil após o
professor ser selecionado para estudar na Universidade de Harvard, nos Estados
Unidos, uma das mais conceituadas do mundo. A seleção ocorreu a partir de um
projeto de sua autoria de geração de energia sustentável, captação de água e
acesso à internet por baixo custo. O trabalho já foi implementado em uma aldeia
de Moçambique, no continente africano, em janeiro deste ano.
Batizado de HYTEC One (que significa “Oi, tecnologia” em
inglês), o computador foi criado com pequenos componentes eletrônicos, rodando um
sistema operacional básico, que pode ser conectado a qualquer tela, seja um
monitor ou um celular.
A ideia surgiu quando Ciswal começou a perceber a
dificuldade de estudantes para assistir a aulas escolares remotamente,
principalmente durante a pandemia de Covid-19, já que muitos não têm acesso à
internet. “Um computador hoje é bem caro. A falta de acessibilidade me deixava
desconfortável desde cedo”, justifica.
Quando ainda morava em sua terra natal, Palmares, em
Pernambuco, Ciswal recorda que, aos 8 anos de idade, desejava muito fazer um
curso de computação. “Pedi muito para meu pai, mas o valor do curso era a
feira”, lembra. Sem dinheiro, sua família o colocou para estudar datilografia.
“Quando estava terminando o HYTEC One, lembrei desse episódio. Se naquela
época, um Ciswal tivesse aparecido ou o governo entregasse isso, o que eu
estaria fazendo hoje? São coisas que fazem a gente ter empatia com o próximo”,
justifica.
Professor do Cariri trabalhou como gari e foi selecionado
para lecionar numa das mais tradicionais universidades do mundo — Foto: Valéria
Alves/TV Verdes Mares
Professor do Cariri trabalhou como gari e foi selecionado
para lecionar numa das mais tradicionais universidades do mundo — Foto: Valéria
Alves/TV Verdes Mares
Com apenas R$ 22, o professor criou um computador com duas
partições e o uso de um cartão de memória SD como um HD de computador. A
memória primária está em nuvem. O aparelho, que também tem capacidade de
receber sinal Wi-Fi, mede aproximadamente três centímetros. “O processamento de
dados, que é área que a gente estuda em Harvard, pegou muito pensado nesta
parte de microeletrônica, nanotecnologia, nestes últimos três meses”, conta
Ciswal.
O computador pode ser transportado no bolso, mas precisa de
uma tela, seja TV ou aparelho celular, para ter acesso ao sistema Windows 98,
que dá acesso à internet e programas como Word, PowerPoint e Excel. Porém,
Ciswal já está desenvolvendo seu próprio sistema operacional, que deverá ficar
pronto em até quatro meses. “Vai ser um sistema de fácil acesso para idosos,
crianças, para quem não tem noção de informática. Será muito instrutivo, vai
ensinado”, acredita o professor.
Difusão
Após apresentar o projeto, Ciswal conta que recebeu uma
proposta de um grupo de empresários de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que
querem investir na ideia e popularizar o aparelho no continente africano.
“Minha intenção era que se popularizasse primeiro no Brasil. Eu defendo a
necessidade do povo. Queria muito que algum governo, seja municipal, estadual
ou federal, pudesse popularizar. Dar acessibilidade aos jovens, condições de
estudo”, defende.
Caso não apareçam interessados em implantar o projeto no
Brasil, Ciswal deverá colocá-lo em prática fora do país. “Mas a prioridade é do
Nordeste, do Ceará. Vou trabalhar em prol da população daqui”, ressalta.
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